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Meu Universo Não Há de Ser Igual ao Seu



Trinta

preparava-se há um tempo. modificava posturas, anulava pensamentos, arrancava raízes. o ciclo fechou e plenitude estava mais próxima. eram colegas de quarto. elas trocavam impressões, confidências, cuidavam uma da outra, apagando sensações e pintando os dias vindouros em seda cor de marfim. audrey vestia-se com mais graça, impondo-se a um mundo que não a via mais como uma menina. aquele rosto de menina desmanchou-se um pouco. não tinha mais a pele sem máculas. há rugas, expressões, os olhos falam, a boca sente. os gestos são mais seguros, ainda que discretos e calmos.

outro ciclo iniciou. audrey ganhou presentes. regalos que leva todos os dias consigo para todos os lugares. os doa a todos que cruzam seus passos... assim, de modo invisível. olhares se fixam por mais tempo, pousam em sua pessoa, a admiram, a sentem maior.  seu poder é maior, o manipula melhor e o distribui melhor. a segurança dos últimos meses veio para desarmar a corda bamba dos anos. caminha em ondas agora. ondas pequeninas, controladas, azuis, gélidas, brancas, iluminadas. ondas.



Escrito por Véronique às 01h15 PM
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Dias de sol.



Escrito por Véronique às 01h38 PM
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Cinco Meses

podia espancá-lo. A força vinha do útero, receptáculo de gozos, ânsias e dores. a força vinha do estômago, alimentado pela fraca auto-estima deixada em suas mãos. a força vinha dos braços, que acalentaram tantos sonos e embalaram tantas memórias.

podia esquecê-lo, como quem apaga cicatrizes e aguenta a dor por saber que ela é garantia de vazio. esquecer como quem vira a página de um livro desinteressante, sem estudar sequer suas figuras inanimadas. esquecer como quem dobra a esquina e segue rumo a um novo caminho.

podia guardá-lo, se as sobras pudessem formar algum vínculo, por menor e frágil que fosse. podia guardá-lo, apesar das noites em claro em busca de algum porto seguro naquele mar escuro e desconhecido. podia guardá-lo, se as lembranças fossem cheias de risos e alegrias, e não cobertas por um véu de amargura.

podia amá-lo, mas vai dobrar a esquina.

 

Ao som de "Cicatrizes" - Roberta Sá



Escrito por Véronique às 08h15 PM
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Escrito por Véronique às 09h39 PM
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The Bird and the Bee

O ritmo dos acontecimentos é acelerado. Audrey não acompanha essa velocidade. Ela é lenta, seu mover obedece à respiração compassada, de quem pensa no próximo passo, olha para os dois lados ao atravessar as avenidas, pisca o olho ao receber um toque.

O tempo tem sido, sim, generoso. Por vezes, corre fugindo de sua ansiedade, em outras, a auxilia no levantar de cada sono. Nem parece, mas já se passaram meses... O vazio permanece, mas não é mais como espinho. Machuca, mas o arranhão logo desaparece na pele morena.

E ela ainda sente que mais mudanças virão. E todas boas. Chegou o tempo de não mais pedir, só agradecer.


Ao som de "Inside Out" - Feist



Escrito por Véronique às 09h32 PM
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